sábado, 1 de maio de 2021

Projecto Bacalhau: Dia 9 - Vila Praia de Âncora

Ponte sobre o Cávado, N13


A alvorada é em Vila Chã, uma zona rural muito perto do Porto. Enquanto trato do pequeno almoço no belo parque de campismo local, não posso deixar de reparar que, apesar das etapas curtas, já levo quase seiscentos quilómetros nas pernas, e estou cada vez mais perto do Gerês. Considero que o meu corpo já teve algum tempo para se adaptar, e que eu deveria fazer um esforço para conseguir aguentar etapas maiores, já que com o equipamento que tenho isso é perfeitamente possível. 

Nesse sentido, deixei para trás alguns itens mais "pesados", do pouco que eu carregava: o meu powerbank extra, de reserva, de apenas 5000 mAh e que só funcionava quando lhe apetecia, e o meu fogareiro a álcool, que andava a funcionar mal e além disso o combustível vinha-se revelando muito difícil de encontrar. Mais leve meio quilo, se tanto, rumei a Norte, possivelmente pela última vez.


Mercado da Póvoa do Varzim


A manhã é passada na N13, e apesar de haver algum trânsito, o ambiente é simpático, já que é feriado (10 de Junho) e há muitos outros ciclistas na estrada. A estrada em si é interessante, já que passa por muitas terras onde eu e o Dentuça poderíamos perfeitamente perder umas horas, (Vila do Conde, por exemplo) mas onde infelizmente não vamos parar desta vez. 


Já é um monumento da cidade


Parar só parei em Viana do Castelo, depois de atravessar mais uma ponte dos demónios (N13) para chegar à cidade. O tempo estava mais freso, instável até, e havia vento de Norte para abrir o apetite. A cidade tinha uma atmosfera estranha, já que ao contrários das outras, havia muitos turistas e até alguns peregrinos, coisa que me custava a compreender, já que a fronteira continuava fechada e não me parece que ir a Santiago seja uma excepção aceite para a cruzar.


Outro marco de Viana. Aparentemente


O excelente almoço foi na esplanada de um restaurante na zona nobre da cidade, daqueles sítios onde a comida é boa, o atendimento é excelente e o preço não aleija. O empregado mostrou muito interesse na minha bicicleta e na minha viagem e a conversa fez-me bem ao ânimo. Não desfazendo no Dentuça, parece que até eu preciso de falar com pessoas de quando em vez. Entretanto usei o telemóvel para fazer reserva de quarto em Vila Praia de Âncora. Este pequeno luxo era necessário, porque depois de 3 noites consecutivas de campismo tinha todos os gadgets a ficarem sem bateria.

O resto do dia fez-se sem maior dificuldade, mas em Vila Praia de Âncora, ao tratar das minhas rotinas pós pedalada, arranjei maneira de ainda fazer uns 10km a pé, já que o supermercado onde eu insistia em querer adquirir fortes quantidades de alimentos, teimava em só existir na base de dados da página web que eu consultei, e não na realidade física do universo conhecido. 


O tempo estava a mudar em V. P. de Âncora


Confortavelmente instalado na cama, de volta ao meu quarto da Guest House "Baixinho", com a bicicleta a salvo num anexo no piso térreo, fiz os meus planos para o o futuro: se tudo corresse bem, amanhã estaria, por aquela hora, dentro do parque do Gerês. Tinha que ter em consideração que, longe do litoral, a altimetria diária iria aumentar consideravelmente. E assim o esforço. E eu não andava satisfeito com o meu rendimento diário até aqui. A ideia era aumentar a quilometragem das etapas, não diminuir. Precisava de um plano.

Dia 9. Vila Chã - Vila Praia de Âncora. 75km (Estrada)

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