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quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Na medida certa

A foto é minha, a bicla nem por isso

Então, estão bons? Fui ali comprar tabaco, mas fiquei um bocado indeciso, afinal há muitas marcas, aquilo faz mal à saúde e com o imposto ainda custa dinheiro. Acabei por não trazer nada. Mas já cá estou. E regresso com um dos temas fracturantes da comunidade: um "bike fit" serve ou não para alguma coisa?
 
Desde já esclareço que não tenho grandes respostas, esse tipo de serviço público deixo para outros. Mas a minha questão surge de ter metido na cabeça que ia participar no Troia-Sagres deste ano. E mesmo sem ter treinado absolutamente nada (o próprio conceito de treino é um bocado incompatível com a minha ideologia utilitária) achei que seria engraçado levar a minha bicicleta do Cretáceo Superior para tornar as coisas interessantes.

"eu como crábono ao pequeno almoço"

O problema é que a velha Raleigh sempre foi um bocado grande para mim (ou será que não?) e tenho dificuldade em sentir-me confortável aos comandos por períodos prolongados e distâncias maiores. Nunca tinha perdido muito tempo a afinar a bicla para a minha envergadura, limitei-me a fazer uns ajustes aqui e ali e toca a rolar. Desta vez resolvi ser um pouco mais metódico.

Várias empresas oferecem entre nós este serviço

Como não queria pagar mais dinheiro do que vale a bicicleta num bike-fit profissional, fiz uma pesquisa e usei os dados de uma das calculadoras automáticas que encontrei online. Depois de inserir todas as minhas medidas, do antebraço ao número dos sapatos e do esterno ao escroto (e o trunk, já mediram o vosso trunk?), fiquei com o intervalo de tamanhos para as principais dimensões da minha bicicleta de estrada. A primeira surpresa foi de que a minha bicla não é demasiado grande para mim! Parece que nos anos oitenta eles não eram adeptos de mexer muito nos quadros consoante o tamanho. Basicamente a minha bicla é mais alta, o resto pouco muda. Assim, se o meu tubo do selim mede 63cm, o tubo superior mede uns 58 civilizados centimetros, aparentemente adequados à minha envergadura. O mesmo verifiquei para o tamanho do avanço e demais proporções básicas.

Fácil e de borla. Mas e se não bater tudo certo?

Fixe! Mas quando chego à parte da distância da ponta do selim ao guiador, dá que o tenho que recuar um bocado. E faz sentido, o selim está de facto algo para a frente. Acontece que quando faço isso, o ângulo dos joelhos com o eixo do pedal fica demasiado atrasado. O que é mau. Raios, e agora?   



Se calhar agora dava jeito ter acesso a um daqueles especialistas e seus serviços dispendiosos. Mas sendo assim tive que fazer a coisa a olho, chegar a um compromisso. Nem a posição dos joelhos ficou perfeita, nem a distância do selim ao guiador. Basicamente não ficou muito diferente de como estava tudo antes. Será que é a bike que está mal desenhada? Ou sou eu?

Não sei nem tenho tempo de descobrir. O Tróia-Sagres, essa Meca do ciclismo de inverno em Portugal, é já este sábado. Podia levar a BTT com pneus de estrada, como manda a tradição, mas isso seria demasiado fácil. Ou será difícil? Embora pese tanto como um Renault Clio e tenha quase a idade do Mário Soares, a minha Raleigh é afinal de contas uma bicicleta de estrada. E isso deveria tornar os 202 km do percurso mais acessíveis. Esta é aliás uma distância inédita para mim, mas até conheço parte do percurso e já me aproximei dessa marca uma vez.

É já ali.

A questão que se levanta são na verdade duas: pode um tipo normal, sem qualquer preparação prévia, pedalar 200 km num dia? E fazê-lo numa bicicleta com mais de 30 anos que não lhe encaixa particularmente bem? Eu acho que sim. Respostas definitivas em breve. 

terça-feira, 20 de novembro de 2012

O Estranho Caso da Ciclovia da Avenida da Liberdade

Av. da Liberdade, Lisboa, Planeta Terra

O drama, a emoção, a tendinite que vou desenvolver de tanto martelar o teclado sobre o mesmo assunto. Por onde começar? Talvez pelo principio: a Terra arrefeceu e surgiram os organismos unicelulares, que foram evoluindo até aos dinossauros, que ficaram tão grandes e pesados que morreram e se transformaram em pitróleo. Os homens humanos perceberam que aquilo servia de combustível e construíram grandes bicicletas de 4 rodas carroçadas, com motores movidos a nhanha de dinossauro destilada. Depressa toda a gente e mais a mãe deles queria um veículo auto-móvel, pelo que os lideres da velha Olissipo mandaram alcatifar de asfalto o Passeio Público, e assim surgiu a Avenida da Liberdade.

Conseguem ver a ciclo faixa?

Dando um salto para o Séc. XXI, e após décadas a alargar ruas e avenidas até transformar o maior número possível de artérias da cidade em autoestradas, a CML finalmente parece ter acordado para o facto de que é impossível uma mobilidade urbana dependente exclusivamente das bicicletas de 4 rodas carroçadas. Começaram então a surgir planos e obras concretas que tentam aliviar a pressão do ditador automóvel sobre a pobre e indefesa Olissipo. Com a desculpa de possíveis multas da (des)União Europeia, em Setembro avançaram as alterações ao trânsito na Av. da Liberdade e Marquês do Pombal.

Gostava de ver o Nunes da Silva a andar aqui de bicicleta

Digo desculpas, porque num país onde o povo exige sempre mais e melhor alcatrão para os seus paquidermes metálicos e mais lugares de estacionamento mesmo à porta de todos os destinos, é politicamente muito difícil dizer que se quer restringir a circulação automóvel em Lisboa. O António Costa de certeza não pretende hipotecar o seu futuro político com as alterações de circulação na capital. Mas ao não esclarecer as pessoas, o executivo da CML abre a porta às muitas críticas sobre as soluções implementadas. Em vez de dizer claramente "não tragam o carro para aqui", a CML prefere falar em poluição para justificar ter tirado umas faixas à Av. da Liberdade.

O tracejado da faixa BUS antiga ainda lá está


Os Fogareirus Raivosum dominam a Avenida


As viragens à direita são um perigo


Apesar dos riscos e mesmo em dias de tempestade, a Av. tem ciclistas

Com as alterações feitas, surgiu também uma ciclo-faixa-coisa na Av. da Liberdade. Em vez das tradicionais ciclovias em cima dos passeios, roubando o pouco espaço que sobrava para os peões, desta vez fez-se uma faixa ciclável na via BUS, que foi alargada. É das primeiras vezes também que o responsável por implementar estas modificações relacionadas com a mobilidade BICI é de facto o vereador da mobilidade da CML, o independente Fernando Nunes da Silva. As ciclo-coisadas feitas no passeio são normalmente da responsabilidade do pelouro dos Jardins (!), nas mãos do camarada José Sá Fernandes.

Os protagonistas: António Costa, Nunes da Silva e Sá Fernandes

Talvez por falta de experiência, talvez por manifesta incompetência, talvez por problemas na correspondência, a CML pediu pareceres a quem percebia da poda (a FPCUB e o MUBI) e depois borrifou-se no que eles disseram. Fez o que bem entendeu, provavelmente o que era mais fácil e barato. Ficámos assim com uma ciclo-faixa na zona da avenida onde circula o trânsito mais rápido, onde o piso é pior, e onde o ciclista fica mais exposto às viragens à direita nos muitos cruzamentos. Mesmo a sinalética que avisa para a inovação que é um ciclista poder circular legalmente num corredor BUS (ou será numa faixa à direita do corredor BUS, nunca consegui perceber!) é muito escassa, sobretudo no sentido Norte-Sul.

Estes sinais não existem no sentido Norte-Sul

Tal como não houve coragem para dizer claramente que pretendia restringir a circulação automóvel na zona, também não houve coragem para eliminar o estacionamento público nas laterais da avenida, o que teria possibilitado alargar os passeios e criar outro tipo de soluções para a bicicleta. É difícil encontrar em capitais europeias outras avenidas equivalentes que ainda tolerem o estacionamento à superfície, mas se pensarmos que o Vereador Nunes da Silva é professor do IST, que tem um campus na Alameda onde em vez de se abolir a circulação de automóveis, como é normal no mundo inteiro, aboliu-se a circulação de pessoas, para maximizar o número de lugares de estacionamento. Vale a pena uma visita às instalações desta nobre instituição, para perceber melhor a mentalidade de quem manda na mobilidade lisboeta.

Parece que sou só eu que acho que aqueles lugares de estacionamento sobram

Mas afinal como é circular nesta Avenida Lisboeta após as alterações? Eu passo lá todos os dias e resolvi fazer um pequeno vídeo. À boa maneira da CML, eu não disponho das condições técnicas ideais para recolher as imagens numa bicicleta em movimento, mas desenrasquei a coisa na mesma. As vibrações na ciclo-faixa-coisa são mais que muitas, depois não digam que não avisei. Assim, aqui ficam os 1200 metros dos Restauradores ao Marquês de Pombal, à velocidade merdia de 17 km/h:



Sem grandes surpresas, a montanha parece ter parido um rato. Coxo. Depois do enorme interesse mediático, das ameaças do Reichfürer Barbosa do ACP e do caos dos primeiros dias, a coisa parece estar a acalmar, mesmo que ninguém esteja realmente satisfeito. Os automobilistas querem o seu asfalto de volta, os ciclistas sentem que fizeram alguma coisa por eles, e só isso já é um raro reconhecimento da sua existência, mas gostavam que tivessem feito alguma coisa que fosse, sei lá, útil. Os peões têm agora que olhar para todos os lados ao travessar as laterais, que podem ter vários sentidos, e o atravessamento da própria Av. da Liberdade está tão difícil como nunca. Parece que ganhou mais uma vez a mediocridade e o deserrascanço. Se a política é o compromisso do possível, o possível em Lisboa parece ter descido mais um degrau.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Um Postal de Portugal




Esta parolice do vídeo para a Alemanha pode ter boas intenções, mas envergonha qualquer Português a quem ainda sobre um pingo de auto-estima. Para além do mais, parece persistir uma incrível falta de percepção sobre outras culturas, onde não impera a balda e o desenrrascanço. Há países, como, sei lá, a Alemanha, onde as regras são para cumprir, e não apenas meras sugestões. Onde se impõem mesmo castigos quando essas regras não são cumpridas. Fica portanto só uma pergunta:


O que é que estes idiotas estão a fazer em cima da ciclovia???!!!!

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Estranhas e Exóticas Bicicletas de Viagem

O Chinês teve azar, mas chegou ao fim!

Ficaram inspirados pela história do viajante chinês com uma pancada pelo nosso Infante D. Henrique o Navegador? Aquele que fez 18.000 km até ao Cabo da Roca, tendo sido previamente aliviado da sua bicicleta em Sines? O que saiu nas notícias e teve direito a página no livro dos focinhos?

Pois é, para esse intrépido viajante, chegou uma "simples" bicicleta de montanha, mas há malta que, ou por ser muito picuinhas, ou por ter muita pressa ou por se movimentar por paragens particularmente inóspitas, aposta em material mais especializado.

Temos por exemplo a expedição para bater o recorde da volta ao mundo numa bicicleta que, com toda a carga a bordo pesa apenas 16 kg. Sim, 16 quilogramas que incluem a própria bicicleta, mais toda a roupa, ferramentas, peças, comida, tenda, saco cama, objectos de higiene pessoal, etc, etc, etc, para vários meses de vida longe dos confortos do lar. Minimalismo é pouco. Já tive uma bicicleta que pesava mais que isso sem carga nenhuma...



Este senhor teve depois um acidente grave nos Estados desUnidos das Américas, tal como o Mark Beaumont. Coisas que acontecem. Mas se acham que atravessar os estates é perigoso, e parece que sim, imaginem atravessar o Alasca ou o Ártico. Há quem não goste de trenós e prefira uma Fat Bike. Como em tudo no ciclismo, rapidamente o seu uso se aproveitou para coisas relativamente inúteis, como passear na praia:




Pois é, guarda lamas é para meninos, isto é que é uma verdadeira bicicleta de inverno:

Surly Moonlander

Podem sempre preferir viajar com outro produto ainda mais excêntrico, o famoso kit da Xtracycle, que transforma qualquer bicicleta numa bicicleta de carga, uma longtail. É claro que já houve quem pensasse que esse era o equipamento ideal para viajar, por exemplo atravessar todo o comprimento das Américas, de Norte a Sul, 34.000 km em três anos e meio, sempre fora de estrada:

Imagem: www.ridingthespine.com

Não sei se é do fim do verão, mas aventuras deste género não me saem da cabeça. Vídeos como este também não ajuda:




Todos nós sabemos que, na prática, quase qualquer bicicleta serve para viajar. E a prova disso é que já se fizeram viagens de longa distância em antiguidades, em bicicletas de cidade com 3 mudanças, em bicicletas de crabono ultimo modelo, em dobráveis, até em uniciclos. Qualquer coisa serve. Ou quase. O que se requer provavelmente será vontade e determinação.

Não acreditam? Espreitem isto:





De nada. Espero que chegue para animar a Segunda Feira, que se prevê cinzenta e com chuva. Se não chegar, cliquem aqui.

Pedalem muito e pedalem bem.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Que trata de novas variadas e considerações velocipédicas aleatórias

Coisas mais importantes primeiro: fui ver o Premium Rush, Encomenda Armadilhada no Português de Portugal. Gostei. Não é grande coisa como produto da 7ª arte, mas, para filme americano sobre uma das mais esterotipadas sub-culturas urbanas, não está mal. Se os personagens estão mal definidos, o enredo não faz sentido e acção é exagero atrás de exagero? Sim, sim e... hum... sim! Mas isso não vem ao caso. É um filme de biclas e uma hora e meia bem passada.

Alguém interessado na temática facilmente descobrirá que esta não a primeira incursão cinematográfica norte-americana ao reino dos bike-messengers de Nova Iorque. Consta que o Kevin Bacon protagonizou nos anos oitenta uma fita semelhante. Tipo isto:



 
Diz que a bicla do Kevin era uma Raleigh. É uma película com nível portanto, vê-se logo. Pena é a cotação sub-6 no IMDB. Gostos... Há também malta com interesse em rodas mais pequenas, para os quais gostava de recordar este filme que mete rodas de 20 polegadas e muito saltos. Pode ser apreciada em toda a sua glória no YouTubi, mas algo longe de HD:




É razoável pensar que este interesse pela bicicleta por parte da indústria de vender pipocas tem a ver com a visibilidade do fenómeno de ressurgimento da bicicleta nos países ocidentais. Nova Iorque tem umas controversas ciclovias há muito pouco tempo. E nesse pouco tempo até séries de televisão apareceram. Em Lisboa, lojas alternativas para o ciclista urbano, um mito até há poucos anos, têm aparecido um pouco por todo o lado. Este é só mais um lado da "revolução".

Entretanto, do outro lado do frio canal da Mancha, um ministro do governo de sua majestade demitiu-se após um escândalo que basicamente tinha a ver com o facto de ele ter sido arrogante com os polícias que guardam o nº10 de Downing Street.

Eis a página de um jornal online que dá conta da notícia:

Yep, aquele é o ministro

É engraçado porque os nossos ministros não só não se demitem por serem arrogantes com subalternos, como acho que isso até faz parte do descritivo da função por cá: sou ministro, logo posso tratar mal as pessoas. Até qualquer funcionário público no principio da cadeia alimentar da República parece viver por esta máxima. E mesmo que o país esteja falido e o ministro esteja enterrado até ao pescoço em "casos", escândalos e fraudes, o pópó tem que ser à grande. Bicicletas é para crianças!

"Não há problema, o povo é sereno"

Se ninguém se indigna com o AMG do Sr. Relvas será porque boa parte dos portugueses também consideram que a única forma de locomoção legítima envolve uma berlina alemã. Então agora que começou a chover, o trânsito da capital ficou muito mais complicado, evidentemente porque o clima extremamente agreste do vale do Tejo obriga a cuidados redobrados. Enfim, não podemos viver todos numa qualquer miserável república das bananas solarenga, onde o primeiro ministro sai assim da sua residência oficial:

Visto em bicycledutch.wordpress.com

Diferenças interessantes entre um ministro de um país falido e um primeiro ministro de um dos países que nos empresta dinheiro. "É cultural, os holandeses lá gostam de bicicletes, mas nós cá é diferente", diz logo um grunho do fundo da sala. Pois é cultural sim senhor. Mas bater na mulher e cuspir para o chão também. E o "desenrrascanço", o chegar tarde e a mania das velocidades. Até quando? 

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Tudo o que se pode fazer com uma bicicleta de estrada e eu não fazia ideia




As 2 milhões de visualizações em dois ou três dias são um bom indicador (neste caso) da qualidade do vídeo. Esta brincadeira é da responsabilidade de um senhor chamado Martyn Ashton, uma estrela do Trial britânico, do calibre de um Danny MacAskill. E não é a primeira vez que ele se dedica às bicicletas de estrada, há um outro vídeo mais antigo em que uma Raleigh em carbono é usada e abusada, em vez da actual Pinarello.

Um pequeno pormenor, essa bicicleta utilizada é supostamente um modelo da Team Sky, os vencedores do Tour deste ano. As únicas diferenças parecem ser um avanço mais elevado e talvez uns pneus ligeiramente mais largos. Com um preço aproximado de 13.000 euros, fico satisfeito de saber que ela aguenta este tratamento. Aparentemente.      

domingo, 7 de outubro de 2012

Encomenda Armadilhada




Mete bicicletas, não pode ser mau de todo. Afinal, quantas vezes podemos ver apresentada no grande ecrã uma história em que o enredo gira tão fortemente em torno do tema velocipédico, mesmo que seja em versão hollywoodesca? Vejam a crítica e confiram a cotação no IMDB.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Danny MacAskill, outra vez

Depois do vídeo original, visto por 31 milhões de pessoas, depois das imagens de Londres, da Escócia, da África do Sul, entre outras, desta vez a lenda do Trial viaja até São Francisco, onde continua a fazer das suas. A qualidade das imagens mantém-se soberba:


Se alguém quiser ver, o Danny também esteve envolvido no torch relay, a viagem da tocha olímpica pelo Reino Unido, antes dos Jogos deste verão. É claro que o moço fez as coisas à maneira dele.

sábado, 22 de setembro de 2012

"The Enlightened Cyclist" - Reflexões sobre a mais recente obra do Snob

"Long live the Snob", dizia o Armstrong
 
Sou um admirador confesso do blogue BikeSnobNYC há muito tempo, e tinha curiosidade em ver como o habitual discurso corrosivo do autor se adaptava ao formato de livro. Em Londres passei em sítios que o misterioso autor (que tem este aspecto) visitou para o lançamento deste canhenho, já lá vão muitas luas, e quando encontrei este exemplar por acaso numa livraria Londrina não resisti a compra-lo.

Por favor não levem esta espécie de book review minimamente a sério. Eu não penso fazê-lo. Perguntam vocês:

É sobre o quê? O livro é uma vasta reflexão sobre várias coisas relacionadas com as deslocações em bicicleta. Desde os motivos porque nos deslocamos, os atritos e perigos que essas viagens acarretam, os comportamentos que suscitam, tudo é analisado de uma perspectiva quase filosófica, sem perder o estilo ligeiro e humorístico que caracteriza o Snob.

É igual ao blogue? Obviamente o formato é diferente, afinal são mais de 200 páginas. O humor está mais refinado e o discurso em geral é bastante mais sério e muito mais estruturado. Tal como no blogue, também se fala dos conflitos entre ciclistas e automobilistas, também se fala e critica (e goza!) com as diferentes tribos do ciclismo, os comportamentos desviantes, etc, mas o registo é diferente, mais ponderado.

É só para "ciclistas à séria" ou para toda a gente? Eu diria que um não-ciclista poderia ler e achar graça ao livro. E talvez aprender alguma coisa. Mas terá sempre mais interessante para os adeptos "da causa". Algumas piadas religiosas e linguagem mais forte poderiam ofender Quakers ou assim, de resto acho que é uma obra bastante acessível.

Existe versão em Português?  Que eu saiba não. Este é já o segundo livro do Snob, pode ser que venha ser traduzido.

Eu gostei, e fez-me pensar. Fiquem com o trailer:


quarta-feira, 29 de agosto de 2012

London Cycle Videos

Aviso: Posta preguiçosa.

Pedalar em Londres, essa experiência mística. Aqui ficam uns vídeos sobre como é circular de bicicleta nas ruas da capital do Reino Unido.

Como o Transport for London pensa que é:



O Mayor de Londres e uma das "suas" Boris Bikes a caminho do trabalho:



Como o verdadeiro Mayor Boris pedala:



Como é realmente pedalar em Londres. Mais ou menos:


Uma pesquisa rápida na Internet revelará uma inesgotável quantidade de vídeos ingleses com insultos a ciclistas ou mostrando acidentes ou situações de conflito. Acreditem que a realidade não é tão má como parece.

terça-feira, 27 de março de 2012

Ontem & Hoje

Downhill de competição, anos 90:



Downhill de lazer, na actualidade:

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Viajar. De Brompton.



Sim, é possível. Aliás, nesta nossa era pré-apocalíptica, tudo parece ser possível em viagens aventura low-cost. Como ir à Noruega numa Vespa trintona, ou chegar até ao Senegal em bicicletas do supermercado. Atravessar as Américas fora de estrada ou saltar de cidade em cidade, a dançar no Youtube. Conhecer o mundo, enquanto ainda há um mundo para conhecer.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Ciclismo Urbano durante o PREC

Amanhã é a última sexta feira de Outubro, pelo que haverá Massa Crítica. Não se prevê chuva para a capital da republica mas ainda estou para decidir se é desta que lá vou estar no Marques de Pombal. Falando em utopias, tem circulado pela blogosfera este vídeo:




É suposto ficarmos esclarecidos sobre o percurso Holandês na criação de infraestruturas e hábitos do uso da bicicleta como meio de transporte. A reflexão que somos convidados a realizar é a de que a Holanda não reunia nenhumas condições "mágicas" excepcionais para a adopção da bicicleta pelas massas. Era só mais um país com excesso de motorização, que soube inverter o seu paradigma, e portanto, o seu modelo de sucesso poderá ser adoptado em qualquer outro lugar do mundo.

Aparentemente os holandeses deram rapidamente conta de uma série de malefícios da ditadura do enlatado, nomeadamente:
 
  • Elevado espaço urbano consumido
  • Grande número de acidentes com vítimas 
  • Mortalidade muito alta, especialmente de crianças
  • Elevado preço combustíveis

A estas constatações por parte da sociedade, somou-se a crise económica provocada pelo choque petrolífero. Houve protestos, os políticos perceberam o problema e as coisas foram sendo resolvidas. É claro que a tentação para encontrar paralelismos entre os Países Baixos dos anos setenta e o Portugal dos nossos dias é grande. Senão vejamos:

  • Excesso de motorização? Oh, Sim.  
  • Elevada mortalidade nas nossas estradas? Sim!  
  • Espaço urbano arruinado para acomodar o popó? Check.  
  • Elevados custos de combustíveis? Os maiores de sempre!  
  • Grave crise económica? A pior de todas.     

Sem dúvida que há muitas semelhanças, mas também há grandes diferenças entre as duas realidades a nível social. Protestos? Também morrem muitas crianças em Portugal vítimas de acidentes de viação, atropeladas por exemplo. Não vejo ninguém a reclamar nas ruas por causa disso. Ainda à pouco tempo foram atropeladas crianças dentro da sua escola. Não me apercebi de indignação pública. Que eu saiba nem sequer ninguém foi castigado. Um pouco diferente da Holanda.

Os "Carfree Sundays" parecem ter sido uma iniciativa interessante para sensibilizar as pessoas. Mas se na Holanda dos '70 foi possível impedir o trânsito motorizado de circular uma vez por semana, em Portugal tal não tem sido possível nem uma vez por ano! Dia Europeu sem carros? Quando foi a última vez que alguém lhe ligou alguma coisa no município de Lisboa?


Fechar os centros históricos das cidades ao tráfego automóvel? Por cá isso começa agora a ser tentado, mas de forma tão tímida e com tanto desrespeito e excepções que ficam grandes dúvidas sobre este tipo de iniciativas a longo prazo.

Portanto, as condições e as causas coincidem. Mas a vontade de mudar nem por isso. Os portugueses querem lá saber das vítimas do automóvel. Nunca foi tema que interessasse aos nossos académicos, aos artistas ou à imprensa. O que indigna a sociedade é a falta de lugares de estacionamento! O que leva o português para a rua são os aumentos nas portagens das Auto Estradas, as mesmas cuja construção arruinou o país. Para o português médio os transportes públicos são coisa de destituídos e bicicleta é um brinquedo de fim de semana. Infelizmente acho que mais facilmente adoptamos a modelo de "mobilidade" do Egipto do que o da Holanda.

Portugal é um país maravilhoso. É pena é estar cheio de portugueses. Pessoalmente, de cada vez que penso em reuniões na CML em que se tomam decisões sobre ciclovias e mobilidade urbana, imagino algo como isto:

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

O regresso do Verão Azul. De bicicleta, claro.



Agora que o tempo começa a arrefecer e a economia está já a baixo de zero, tomem lá uma injecção de nostalgia bem quentinha. Quem é que nunca sentiu vontade se assobiar o mítico tema do "Verano Azul" durante um passeio de bicicleta numa tarde solarenga? Pois bem, os protagonistas da mítica série dos anos 80 voltaram a reunir-se em Nerja, no Sul de Espanha, trinta anos depois. Foi organizado um passeio de bicicleta pela terra, já que um dos elementos mais carismáticos da série eram sem dúvida as bicicletas, que permitiam aos jovens personagens deslocarem-se com total liberdade, a caminho de mais uma aventura de verão.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Comichão premium



Pronto, já falei no assunto. E se querem a minha opinião, eu sei que não querem, mas cá vai ela na mesma, como de costume: o filme parece ser o típico produto de acção de Hollywood, neste caso de baixa qualidade, e que por acaso, só por acaso, até envolve bicicletas. Foi fixe ver o trailer, acho que não vou passar disso.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Uma Fixie abaixo de zero



Para além do interesse dos trilhos e das belas imagens do norte da Finlândia, importa reparar como, à temperatura mencionada, há pessoas nas ruas desta localidade. E as pessoas deslocam-se, pasme-se, a pé e de bicicleta. Não se vêem veículos motorizados até quase ao fim do vídeo. Serão os finlandeses sobre humanos? Pobres e desesperados? Ou simplesmente organizados e práticos?

sábado, 2 de abril de 2011

Coincidências?



Não terei sido o único a reparar nisto: a data das eleições legislativas antecipadas coincide com o evento mais arrojado do ano a ter lugar em Lisboa, a World Naked Bike Ride Lisboa. A primeira coisa que me parece merecer um comentário é a falha indesculpável da presidência da republica na escolha da data, o evento da capital já estava marcado, não havia necessidade... Cavaco Silva certamente não comenta este caso, afinal ele normalmente abstém-se de comentar seja o que for.

A ironia da situação é difícil de ignorar, no Domingo 5 de Junho vamos a votos para escolher um governo que substitua o anterior, que nos deixou de tanga. Os organizadores do evento World Naked Bike Ride Lisboa (em inglês tudo tem muito mais classe, não é?) pela sua parte, propõem uma passeio em pelota pelas ruas da capital, do Parque Eduardo VII a Belém, para "contestar o domínio dos combustíveis fósseis e o actual sistema de transporte rodoviário".

Ora eu sou inteiramente a favor de contestar o domínio dos combustíveis fósseis e o actual sistema de transporte rodoviário. E todas as iniciativas em prol da mobilidade sustentável são de enaltecer e acreditem que eu aplaudo toda a gente que é capaz de sair do sofá e fazer realmente alguma coisa por aquilo em que acredita. Agora, será boa ideia organizar um evento deste tipo, num país conservador e cheio de preconceitos como é o nosso? Que imagem estaremos a dar do ciclo-activismo a uma sociedade atrasada, deprimida e com muito pouco sentido de humor? Não sei, não estou inteiramente convencido que este evento, apoiado entre outros pela FPCUB seja benéfico para a causa. Talvez também eu seja demasiado sério e conservador. Enfim, irei meditar sobre o assunto nos próximos tempos e logo decidirei se junto o meu corpinho esbelto ao protesto.

On other news, parabéns ao Sérgio Moura pela reportagem sobre as suas actividades fotográficas na cidade Invicta, que acabo de ver no noticiário da tarde da RTP. Desta vez os senhores da montagem até conseguiram elaborar uma reportagem sobre bicicletas sem usar a música dos Queen. Bravo. Se calhar afinal ainda há esperança.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

NuVinci N360



Depois do lançamento do Shimano Alfine de 11 velocidades ter dado que falar, eis mais uma novidade muito interessante para aqueles que, como eu, apreciam o conceito de cubo de mudanças. Como o Alfine, este sistema pode ser instalado em bicicletas de diferentes estilos, sendo que parece muito atractivo para modelos urbanos. As semelhanças ficam por aí, uma vez que este modelo dispõem de uma tecnologia mais similar a uma transmissão de variação contínua, que um sistema de mudanças interno. Podem ver uma review aqui e informação do fabricante aqui.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

A perspectiva da Industria




Vídeo onde o presidente da TREK fala das tendências do mercado mundial, dos actuais problemas de mobilidade, poluição e saúde que uma industria pode ajudar a resolver, com um produto único: a bicicleta. Data de 2007 esta excelente apresentação, já é conhecida de alguns, mas nunca será demais divulga-la.