Mostrar mensagens com a etiqueta chuva. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta chuva. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

O Inverno do nosso contentamento

Frio, escuro e molhado: razões para apanhar o autocarro?

E então, quem é que ainda não apanhou uma molha este ano? Ninguém levanta o braço? Não? Pois, o tempo tem estado bom para as couves e as laranjas, mas um pouco mais complicado para o ciclista urbano. Apesar disso, ou é impressão minha ou há muito mais pessoal a pedalar pelo inverno adentro do que aquilo que é costume.

Por exemplo, esta altura do campeonato, há um ano ou dois atrás, o estacionamento da minha faculdade já estaria deserto. Só a Grande Marmota Ciclista que está no Céu saberá se é por causa da crise, ou se será para irritar o Reichfuürer Barbosa, mas aquilo este ano tem estado muito mais compostinho. Hoje por exemplo, um dia de chuva, estava assim:

Sobravam 2 lugares...

Não só vejo mais bicicletas estacionadas, como também as tenho visto a rolar. É difícil tomar o pulso à situação, não há números, mas eu vejo realmente mais ciclistas pelas ruas de Lisboa. Tenho apanhado outras pessoas de bicicleta em semáforos, coisa muito rara não há muito tempo atrás. Os encontros repetem-se, espero que se tornem mesmo rotineiros.

Ainda não estamos lá, por isso recordo quase toda a gente com quem me cruzo: uma bicicleta com pendura a circular à noite, a chegar aos Restauradores; ser ultrapassado pelo Paulo Guerra dos Santos na Av. 5 de Outubro; hoje vi mesmo vários outros ciclistas na Baixa, a enfrentar a chuva de Lisboa também com bicicletas de estrada já entradotas. 

Já punha uns guarda-lamas...
  
Toda a gente tem as suas estratégias para lidar com os dias de chuva. Eu tenho as minhas. Além de passar a vida a consultar o boletim meteorológico, a minha regra principal é muito simples: se estivera a cair chuva digna desse nome na hora de sair de casa, vou de transportes. Se não estiver a chover, mesmo que a previsão seja má, lá vou eu. Tenho um impermeável daqueles grandes tipo poncho, mas raramente uso, tal como as calças impermeáveis. Aquilo aquece muito e eu não vou gastar dinheiro em material mais respirável xpto. Em geral, acabo por usar só um impermeável mais levezinho, só a parte de cima, e se chover mesmo à séria quando estou a caminho, paro e espero. Tenho a vantagem de os meus compromissos serem bastante flexíveis, quero dizer, eu pelo menos acho que são... 

Não tenho guarda-lamas montados na Raleigh, e bem tenho sentido a sua falta. Já vêm uns a caminho. É uma peça vital, sem eles a bicicleta e o ciclista rapidamente ficam num estado deplorável, mesmo que não chova, basta a estrada estar molhada:

Mais coisas para eu limpar

O inverno lá se vai aproximando a passos largos, mas com alguma preparação é possível continuar a pedalar pelas ruas da velha Olisippo. Eu estou entusiasmado com o crescimento sustentado aparente do nosso ciclismo utilitário, não há semana que passe em que não abra uma nova loja, ou saia alguma coisa relevante na comunicação social sobre bicicletas, ou comprove eu próprio, empiricamente, no terreno, que eles andam aí. Mesmo à chuva.

Mmmmm, binho....


A minha não será a bicicleta mais indicada para o inverno, mas o nosso por cá nem é muito digno desse nome, e este ano vai ser mesmo à base de bicicleta de estrada jurássica. Espero ver mais dinossauros destes a rolar por Lisboa, tal como bicicletas e ciclistas de todo o tipo, mesmo quando o tempo não facilita. 

domingo, 7 de agosto de 2011

A bicicleta certa

Bicicletas há muitas

Qualquer pessoa que já foi dar uma volta de bicicleta com uma das tribos do ciclismo sabe perfeitamente que há umas bicicletas certas e outras completamente erradas. O grupo de guerreiros do asfalto do Cacém, que vão dar um giro ao Domingo pela serra de Sintra, rapidamente esclareceria o novato e o levariam a perceber que a sua Zeus herdada do pai o ia deixar abandonado na estrada, a milhas do grupo. O iniciado seria encorajado a comprar a última geração de bicicleta de crabono, de uma marca conceituada. No modelo topo de gama, porque os outros claramente são para iniciados e ninguém quer parecer iniciado. Mesmo que o seja.

Ainda que ninguém lhe dissesse nada, o novato depressa perceberia que os seus calções normais de usar na rua ofendiam a visão sensível dos novos companheiros, além da resistência aerodinâmica o fazer perder 0,02 segundos por km, e acabaria por investir mais uns cobres numa indumentária “aceitável” para os passeios. Depois haveria também que gastar mais um pouco num ciclo-computador, também ele da marca certa, pois claro. E com todas as funções indispensáveis, que um homem já não passa sem saber quantos Watts de potência está a aplicar na roda traseira.

Na altura de investir num rolo para “treinar” em casa, durante o inverno, e comprar um cardiofrequencímetro para se manter na zona certa, o iniciado nestas lides provavelmente já terá a conta bancária bastante maltratada, mas pelo menos sentirá o calor fraternal de se sentir por fim aceite pela Tribo.

Este tipo de visão desportivo-consumista mantém as tribos do ciclismo normalmente afastadas do ciclismo utilitário, ao mesmo tempo que a sociedade em geral olha com desconfiança para qualquer pessoa que pretenda simplesmente deslocar-se para algum lado a força de pedal. No fundo temos todos uma data de preconceitos e definições tão exactas como intolerantes do que é “normal”.

Nacional 10, no Laranjeiro

Na nacional 10, ontem, a caminho de Setúbal, fui ultrapassado por um par de ciclistas de estrada, ambos com a indumentária certa, mas segundo os meus preconceitos, a atitude errada. É que além de me terem feito uma rasante, não me disseram nada. O que seria de esperar de membros de outra tribo, já que eu trajava à civil e montava a minha Frankenbicla. Não merecia pois um mero “bom dia”. Esta indiferença contrastava com o comportamento de outros ciclistas da zona, afinal eu tinha passado a manhã a saudar e responder a cumprimentos de companheiros do pedal. Espicaçado pelo comportamento, lancei-me na perseguição deste duo, que avançava a bom ritmo, bem abaixados em posição aerodinâmica, o segundo elemento na roda do primeiro, aproveitando ao máximo o cone de ar. Para minha surpresa, não tive grandes dificuldades em apanhar estes “atletas”, nem em manter-me ao ritmo deles. Sem licra, sem pêlos rapados, sem crabono, sem saber a minha frequência cardíaca, a pedalar erguido, numa bicicleta de montanha com um guiador mais alto que o Bruno Nogueira.

É claro que é possível que aqueles ciclistas estivessem no regresso de uma volta épica de 286 km e eu os tenha apanhado já mesmo a chegarem a casa, cansados e sem fôlego para cumprimentos. Há que dar um desconto. Criticar é fácil.

E talvez seja por isso que o fazemos. Como quando eu disse ao meu amigo Pedro que se calhar não era boa ideia ele ir a pedalar os 260 km que separam a sua casa de umas merecidas férias no Algarve. A coisa começou quando eu próprio, que tinha sido convidado a lá passar também uns dias, avancei a hipótese de fazer a viagem de bicicleta. Ora o Pedro disse logo que era gajo para fazer isso também. Para mim o problema nem era que ele não andasse regularmente de bicicleta, nem o facto de a maior distância que tinha percorrido até ao momento terem sido cerca de 30 km. Para mim, o problema era a bicicleta dele ter este aspecto:

Já não se fazem destas

Sim, é uma genuína Confersil, com quase todo o equipamento de origem. Contando com mais de duas décadas de uso variado, este modelo ainda mantém os pneus e calços de travão originais! Apesar de estar avaliada em menos que o ar dos seus pneus, esta bicicleta é para o dono insubstituível e de elevado valor sentimental, já que o tem acompanhado em inúmeras aventuras desde a infância.

Está novo!

Não está bem focado, mas acho que ficam com a ideia

Determinado a provar as suas capacidades e as da sua Confersil, o Pedro alinhou numa voltinha de teste, de Almada a Setúbal, cerca de 40km já meus conhecidos. A ideia era manter o tipo de ritmo que seria necessário para uma deslocação ao Algarve em 2 dias, ou seja uma média entre os 20 e os 25 km/h. Apesar da ameaça de chuva, e embora coberta de ferrugem, com uma roda muito empenada e um pneu prestes a rebentar, a Confersil manteve a integridade e o Pedro não deu parte de fraco. A distância foi coberta em escassas duas horas, cumprindo os objectivos.

No fim, nenhum de nós irá para o Algarve de bicicleta, já que o tempo de férias escasseia e as estradas são ainda mais perigosas nesta altura do ano. Eu ganhei um novo respeito pelas bicicletas que podem parecer BSO's, mas que apesar disso ainda têm utilidade e podem servir fielmente os seus orgulhosos proprietários em diversas circunstâncias.

Por outro lado, quando não envolvidas numa disputa "a minha é maior que a tua" dos seus donos, que justifica logo gastos ilimitados, as bicicletas de qualidade parecem merecer um certo desprezo do cidadão comum. As pessoas acham normal pagar 20,000 Eur por um carro ou 500 Eur por um telefone, mas acham no mínimo excêntrico que alguém gaste mais de cem euros numa bicicleta "normal". Para muitos uma bicicleta é uma coisa simples, como um piaçaba. Claro, há piaçabas feitos de ouro e pedras preciosas, mas quem é que realmente precisa de uma coisa dessas? Pois é. Eu não preciso. Mas há mínimos. Ou não? O problema parece ser quem é que decide quais são.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Quem anda à chuva...


Molha-se! E eu hoje cheguei a casa molhado que nem um pinto. Apesar de todos os avisos, resolvi não me precaver. Porque a distância é curta, porque são só dez minutos a pedalar, a probabilidade é pequena, enfim, as desculpas do costume desta vez custaram caro. Foram dez minutos a ensopar agua por todos os lados, sem quase conseguir ver por onde ia. A coisa só não foi pior porque a bicicleta tem guarda-lamas, que funcionam. Já os pneus são pouco aderentes em condições difíceis como as de hoje, nada de admirar numa bicicleta tão barata. Não foi uma viagem confortável.

Tenho mesmo de rever a minha atitude despreocupada.