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terça-feira, 31 de dezembro de 2013

2013 foi do camandro, 2014 vai ser do catano!

Eis-nos de novo naquela fatídica altura do ano: o momento da revisão no telejornal dos principais acontecimentos que foram notícia, em Portugal e no mundo, nos últimos doze meses. Ora sucede que 2013 foi um ano particularmente interessante para os apoiantes da causa do pedal. Mas se foi possível que a bicicleta fosse noticia ao longo dos últimos meses, não será certamente o tipo de coisa que as TV's se dediquem a recordar nesta época. Não se pode competir com o selfie no funeral do Mandela, ou com o regresso de Mourinho ao Chelsea.

Mas para isso estou cá eu. Sem mais demoras, das montanhas do Isaltinistão para o mundo, eis os mais importantes ciclo-aconteceimentos de 2013. Um ano que começou assim:

Um milhar em todo o país?

Logo no início do ano, as forças vivas do ciclismo e algumas celebridades uniram esforços para passar uma simples mensagem, basicamente recordar a todos que os ciclistas existem, também são utentes da via pública e que merecem ser respeitados. A exposição mediática conseguida na altura foi significativa.



Num sábado tempestuoso, em que foram emitidos alertas meteorológicos que recomendavam justamente às pessoas que não saíssem de casa, as televisões tinham outras coisas que noticiar. Mesmo assim não faltaram esforços para difundir um evento de nível nacional, que acabou por ter pouca adesão mas bastante divulgação. O Markl explica do que se tratava:



A aparente falta de adesão na altura chegou a ser criticada. Estava no entanto dado o mote para um ano extremamente mediático para a bicicleta no nosso país. Enquanto dezenas de milhares de portugueses fugiam à crise galopante e abandonavam este Portugal esquecido pela Grande Marmota que está no Céu, alguns para se instalarem em autênticos paraísos da bicicleta, por cá a luta continuava. Ainda que muitas vezes sobre o signo da excentricidade, a bicicleta ocupava cada vez mais espaço nos jornais, revistas e televisões.

Ainda no início do ano, entrevista com o director da FPCUB na RTP 2:



Hugo Sabido e Rui Sousa na RTP 2:



Além da mensagem mais institucional de organizações e ciclistas famosos, as TV's mostraram interesse, a uma escala nunca vista, por aqueles "maluquinhos" que trocaram o carro pela bicicleta na sua vida diária.

No Porto:



Ou em Lisboa:



São só alguns exemplos, porque em 2013 a bicicleta esteve definitivamente na moda, aparecendo cada vez mais em público não só em noticias como em campanhas de marketing e publicidade, ou mesmo como objecto decorativo. Em paralelo com tudo isto, era possível visualizar, nas ruas de Lisboa, um aumento significativo dos utilizadores de bicicleta. Não há estatísticas nem cálculos decentes que permitam estimar o número de ciclistas urbanos entre nós, mas tudo parece indicar, pelo menos a olhómetro, que têm vindo a aumentar substancialmente.

O culminar aparente desta dinâmica de crescimento real e mediático no uso e defesa da bicicleta como meio de transporte foi a aprovação, a meio do ano, de alterações ao código da estrada que contemplam algumas novidades interessantes para os ciclistas. Como nunca é demais recordar, as principais alterações são:

  • Obrigatoriedade dos veículos motorizados deixarem um espaço lateral de 1,5m na ultrapassagem a velocípedes, abrandando também a velocidade.
  • Equiparação dos velocípedes, para fins de definição de prioridade, a qualquer outro veículo nos cruzamentos não sinalizados.
  • Quando autorizado pelos municípios, os velocípedes poderão circular em faixas BUS.
  • Permissão de circulação nos passeios para crianças até aos 10 anos
  • Obrigatoriedade de cedência de passagem aos velocípedes quando atravessam as passagens especiais assinaladas para estes.
  • Fim da obrigatoriedade de circular o mais à direita possível da via.
  • Fim da obrigatoriedade de circular na ciclovia.
  • Fim da proibição de circular a par.

O decreto de lei que aprova esta coisa toda entra em vigor daqui a menos de 24 horas, a 1 de Janeiro de 2014. Há toda uma série de razões, históricas e sociais, para questionar a possível eficácia destas alterações. Mas deixemos isso para depois. Não menosprezemos o facto de que se tratou mesmo de uma grande vitória. O resultado do esforço e contributo de inúmeras pessoas e uma marco incontornável na caminhada para o que eu chamaria de normalidade no uso da bicicleta como meio de transporte. Ponto. 

A novidade de 2012 morreu em 2013

Em Lisboa, aparentemente por causa das reclamações de ciclistas e de automobilistas, a Câmara de Lisboa recuou nas polémicas alterações à circulação na Av. da Liberdade, e os ciclistas voltaram a poder usar as laterais da avenida. Infelizmente isso implica circular aos ziguezagues, e fazer mais quilómetros e paragens que o necessário, mas a velha CML prosseguiu em 2013 com a sua táctica habitual de dar um passo para a frente e dois passos para trás, no que aos modos suaves diz respeito.

Imagem: Público

Com a reeleição de António Costa, as coisas não devem mudar, provavelmente podemos continuar a contar com ciclovias decorativas e a tradicional falta de coragem para eliminar faixas de rodagem, reduzir os espaço de estacionamento público em excesso, acabar com o estacionamento selvagem, baixar os limites de velocidade, fiscalizar os muitos abusos rodoviários, etc. Nada tenho contra o António Costa, se calhar até era o candidato a Lisboa mais pró-modos-mais-ou-menos-suaves, mas isso diz alguma coisa do nosso complicado panorama político.

Também em 2013, onde há ciclovias há polémica

Mesmo assim, tivemos direito a mais ciclovias lisboetas em 2013. E mais estão, aparentemente, na forja. Nesse capítulo 2013 foi uma ano de mais do mesmo: mais obra e mais polémica também. As coisas vão andando, só não se sabe se é para a frente.

Rui Costa emocionado

Quem sabe para onde vai é outro Costa, e outro acontecimento incontornável de 2013: a vitória nos campeonatos do mundo de estrada de um rapaz promessa do ciclismo português, que tive o prazer de conhecer e fotografar certo dia na Povoa do Varzim. A magnitude da coisa escapou um pouco ao país devoto do futebol, mas mesmo assim o triunfo de Rui Costa em Florença dificilmente podia ser ignorado. Foi um ano muito especial para o português, que sumou ainda várias outras vitórias "menores", como duas etapas da Volta à França, e acabou premiado atleta do ano, à frente do colosso Cristiano Osvaldo. Coisa pouca.

E muito mais aconteceu em 2013. A velha raposa matreira Lance-Macho-Alfa-Armstrong foi finalmente obrigado a confessar os seus pecados, coisa que fez sem perder a sua lendária arrogância e sobranceria. A UCI parece continuar cheia da podres, mas até ao momento conseguiram sobreviver ao escândalo e tratam de convencer o público que as mesmas pessoas que estiveram na cama com o Armstrong (espero que não literalmente) gerem agora um desporto limpinho. 

"Tipo, menti e coiso. Mas vamos falar do MEU futuro"

Em 2013, apesar da crise, continuaram os eventos de bicicleta (menos o Bike Tour), as maratonas BTT, passeios Chic, festivais de cinema, etc. Também é cada vez mais fácil comprar uma bicicleta utilitária, não só há mais lojas vocacionadas também para o ciclista urbano, como as já existentes parecem ter acordado para este novo mercado de utilizadores (em vez de gozarem com eles).

"EP diz NÃO!"

Há outras lutas que foram adiadas, como a travessia ciclo-pedonal da Ponte 25 de Abril, uma possibilidade rejeitada liminarmente pela Estradas de Portugal. Ou a implementação da eternamente adiada rede de Bicicletas Partilhadas de Lisboa. Diz que algo está para breve.

E muito mais aconteceu em 2013, pelo que muito mais haveria a dizer. Mas não temos tempo. Deixo-vos com um último acontecimento feliz de 2013, mesmo que a maioria dos eleitores de Oeiras aparentemente não concordem. Um feliz e prospero 2014 para todos, com muita pedalada!

"O Vistas avisou-me para não deixar cair o sabonete"

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Dura lex sed lex

Nós por cá...


Parece que os homens e mulheres que impõem a lei no concelho de Oeiras esquecem-se por vezes de a cumprir. O facto é tão mais relevante porque é a policia municipal que se encarrega de multar os "perigosos prevaricadores" que circulam no passeio marítimo de Oeiras de bicicleta, fora do horário em que são tolerados. No mesmo passeio marítimo onde é vulgar encontrar automóveis... Enfim, temos que ser positivos: ao menos estes policias andam de bicicleta!

Eu sei que há alguns que não vão perceber a imagem, para esses eu recordo: é proibido circular no passeio, seja de bicicleta, seja de Fiat Punto. O facto recorda também as poucas alternativas que existem a uma estrada marginal (N6) estreita, sem bermas e com excesso de tráfego a qualquer hora do dia.

sábado, 9 de abril de 2011

RIP Riverside

Decathlon Riverside 3 de 2010, tamanho XL

Em Portugal toda a gente odeia bicicletas. As excepções são umas quantas pessoas inteligentes e os gatunos. Entre as 18:30h de dia 8 e as 01:00h de dia 9, alguém que não eu levou a minha Riverside para dar uma volta. Estava estacionada no local próprio da estação da CP de Oeiras. A terminação do número de quadro é 1027199. Se alguém tiver alguma informação que me ajude a recuperar a bicicleta, por favor entre em contacto.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Ciclismo suburbano


 
O meu programa de festas deste domingo envolvia uma deslocação à Fábrica da Pólvora, para um solarengo picnic familiar. Não querendo entregar mais uns euros à Scotturb, resolvi ir de bicicleta. Imaginei que num domingo de Agosto não houvesse muito trânsito e não me enganei. Fiz um esforço por arranjar um caminho que não metesse vias muito movimentadas e acabei por conseguir um percurso mais ou menos pacifico. Foi algo como Carcavelos-Sassoeiros-Porto Salvo-Leceia-Tercena.


Ciclovia de Oeiras.


Comecei por cruzar a famosa "ciclovia" de Oeiras, no meu caminho para Sassoeiros. É estranho andar pelo lado esquerdo da estrada, mas é assim que a ciclovia foi feita. Também é preciso ter alguma atenção à saída, parte do trajecto é um circuito oval, quem não o conheça bem pode andar ali às voltas àquilo e não chegar a lado nenhum. Isso nem é o pior, depois a ciclovia começa a subir pelos passeios e a ser interrompida cada vez com mais frequência, sempre sem prioridade para o ciclista. Regressei à estrada.


Parece fixe. Mas não é.

Daqui para a frente segui o caminho que teria usado se me deslocasse movido a motor. Graças ao pouco trânsito, não tive problemas nos acessos ao Lagoas Park, que atravessei, nem nas rotundas de Porto Salvo. Utilizei a berma onde ela existia e os poucos automóveis que me passaram fizeram-no com civilidade e a velocidades razoáveis. Imagino que noutra altura do ano as coisas não serão bem assim. A subida para Leceia não custou tanto como imaginava, mas a descida do outro lado do morro provou ser interessante. A bicicleta ganhou facilmente velocidade, dei por mim com os travões cravados, atrás de uma fila de carros que seguiam ao ritmo de um tractor que ia na dianteira. Sentia a bicicleta instável, os pneus com pouca aderência e as rodas com vontade de bloquear sob o esforço intenso da travagem. Achei mais seguro ultrapassar toda a gente e seguir ao meu próprio ritmo. Foi o que fiz. Bicicleta 1, filas de trânsito 0.

Dali até à Fábrica da Pólvora foi um pulo, mas um pulo ligeiramente ilegal. A estrada está reservada a transportes públicos no sentido em que eu seguia. Nestas coisas costumo ser muito cumpridor, penso que se não for assim continuaremos a ser considerados por alguns como "usurpadores da via". Sou daqueles que para nos semáforos, paro nas passadeiras e evito em geral meter-me em confusões. Mesmo assim, a rede viária está de tal forma feita única e exclusivamente a pensar em automóveis ligeiros, que por vezes sinto-me compelido a desafiar as normas. Este foi um caso desses. Poupei uma volta de 3 km, vários cruzamentos potencialmente perigosos e uma subida monumental.


Animais também não são bem vindos


Na Fábrica, novo desafio. Está proibida a entrada de velocípedes. Acho sempre graça a estas proibições, as bicicletas parecem ser uma praga a combater, na cabeça de algumas pessoas. Que não se possa pedalar dentro do complexo (que é enorme), até aceito, mas que eu tenha que deixar a bicicleta cá fora, onde não há nenhum sítio onde a prender... Enfim. Fui falar com os seguranças e fui informado que não existia nenhum estacionamento para bicicletas. Para quê? Toda a gente sabe que ninguém vem para aqui a não ser de carro. Perante a indiferença, levei a bicicleta para dentro, à mão, e amarrei-a a um banco. Segunda ilegalidade?


Sôr Isaltino, estacionamento para bicicletas, SFF

No regresso penei para levar os 20 kg de bicicleta carregada pelo morro de Leceia acima. Foi épico, justamente porque não desmontei, mesmo quando pensei que havia alguma coisa de errado com as mudanças ou que a minha sobrinha se teria enfiado no alforge. O regresso foi feito pelo mesmo caminho e sem sobressaltos. No total do dia somei 23 km, feitos em grande parte em estrada aberta, debaixo de muito calor. Mesmo assim, ainda cheguei apresentável. Quase.