terça-feira, 27 de setembro de 2011

Orçamento Participativo 2011-2012: Take 2

Até Sexta, dia 30
Se alguém leu o meu post original sobre o Orçamento Participativo deste ano, e os comentários que se lhe seguiram, deve ter ficado com a ideia de que eu não sou grande fã. E é mais ou menos a ideia correcta. Contudo, como em anos anteriores, acabei por perder um tempinho a tentar perceber os projectos e votei mesmo num.

E mudei de ideias por quê? Bom, não mudei propriamente de ideias, continuo a ter algumas considerações sobre todo o procedimento que me parecem pertinentes:

  • Que um munícipe tenha de recorrer ao OP para que a autarquia (talvez) resolva problemas básicos que são da sua responsabilidade, como fazer passeios seguros e arranjar buracos, parece-me humilhante.
  • As ciclovias que se podem atribuir directa e indirectamente ao OP foram pessimamente executadas e se esse é o standard de qualidade da CML nesta matéria, o melhor será não fazerem nada.
  • Assuntos da importância que (para mim) tem a mobilidade sustentável na capital não deveriam estar dependentes apenas da esmola/lotaria do OP, como muitas vezes parece que estão.

Dito isto, fui sensibilizado pelas palavras do JC Neves (obrigado) e acabei mesmo por votar. Não podemos esquecer que votando em qualquer projecto relacionado com o ciclismo urbano, mesmo um projecto que acabe derrotado, estamos a dar provas aos responsáveis da CML do contínuo interesse dos Lisboetas na Causa do ciclismo utilitário. E isso é realmente importante, porque todas as oportunidades são poucas para contrabalançar o omnipresente poder do Loby do popó.

Assim, eu votei no projecto 132, por interesse pessoal e pelas razões já citadas. As propostas relevantes parecem ser:

Nº  67 Via ciclável.
Nº  68 Estacionamento para bicicletas, Cidade de Lisboa.
Nº  85 Percursos Cicláveis, Lumiar.
Nº  86 Cacifos para estacionamento de bicicletas, Lumiar. 
Nº  91 Instalação de Elevador de Bicicletas.
Nº 132 Corredor Ciclável entre a Av. República e a Baixa.
Nº 144 Ampliação da Rede de Percursos e corredores cicláveis.

Consultem aqui os projectos. E votem até ao final da semana. Ou o ReichFürer Carlos Barbosa e seus capangas é que se ficam a rir.

domingo, 25 de setembro de 2011

Teste: Giant Conway 2.0

Este caixote já deu a volta ao mundo
 
Como prometido, aqui vai uma pequena review de uma dobrável que não custa os olhos da cara. Antes de mais, convém responder à questão que quase toda a gente colocará ao ler o título desta posta: o que diabos vem a ser uma Giant Conway?

Pois. As origens deste modelo perdem-se nas brumas não do tempo mas da sociedade globalizada. Uma investigação por parte do proprietário permitiu descortinar que se trata de um modelo da Giant, de 2008, destinado ao mercado Chinês. E graças aos imponderáveis da globalização, um punhado destas bicicletas, novas, foram importadas para a terra dos apreciadores de fish and chips e spotted dick pudding. E em terras de sua majestade foram colocadas à venda no eBay.

Chan-chan!

Não sei se alguma vez receberam uma bicicleta pelo correio, garanto-vos que é um volume considerável, o que torna tudo muito, hum.... divertido! Neste caso não tanto, porque a caixa tem umas dimensões mais comedidas, já que a bicicleta vem, naturalmente, dobrada. E a dobra é do tipo Dahon, o quadro quebra a meio e o espigão do guiador dobra à altura da caixa de direcção. Mais coisa menos coisa, é tudo muito semelhante.

Outra possível interrogação que possam ter nesta altura é qualquer coisa do género:"e funciona!!?"

Chinesa à solta na capital
 
É uma questão muito razoável, sabendo nós que as bicicletas dobráveis têm uma engenharia a tirar para o complexo e que esta menina veio da China, terra onde muitas vezes a qualidade não mora. Pois sim, tudo o que é para funcionar funciona, sem problemas ou manhas. Obviamente, este é um produto de gama baixa, e como tal deve ser avaliado, mas não fica atrás de modelos vendidos por cá a preços semelhantes (leia-se superiores), de marcas menos conhecidas e muitas vezes fabricados nas mesmas paragens.

Uma bicicleta de marca!

E então o que temos no menu? Temos um quadro em aço, temos seis velocidades obtidas por meio de uma transmissão Shimano, com um desviador Tourney, gripshift, e uma cassete convencional. Os travões são v-brake da ProMax, a caixa de direcção é de rosca, de uma polegada. As rodas de alumínio, cubos e a maioria das restantes peças são fornecidas pela própria Giant. A bicicleta vem pronta para uso utilitário, com pormenores interessantes como:

  • Reflectores à frente e atrás, e nas rodas
  • Guarda lamas 
  • Grelha porta-bagagens
  • Protector do prato dianteiro
  • Descanso

Todos estes gadgets pagam uma factura na balança e é impossível que esta Giant atinja os 12 kg anunciados. Boa parte da culpa será dos guarda-lamas, que são em aço sólido! De resto, como em qualquer roda 20, o peso está todo muito lá em baixo e só se nota quando temos que pegar na bicicleta. O quadro em aço ajuda a tornar a viagem confortável, e existindo algumas flexões no conjunto, nomeadamente nos pedais e no espigão da direcção (algo comum a muitos outros modelos), não é nada de preocupante. O que salta logo à vista quando assumimos os comandos são duas coisas: primeiro apercebemo-nos de que a bicicleta é realmente pequena e depois somos surpreendidos pela estabilidade e conforto que mesmo assim ela apresenta.

Elegante e confortável


As bielas (cranks) são apropriados para pessoas de baixa estatura

 
Pormenor do fecho central


Cubo da frente também da marca

Esta Giant não é uma marota irrequieta, como as rodas de 20 polegadas poderiam fazer pensar. Isto é ainda mais inesperado porque a bicicleta mede menos de 1 metro entre eixos e eu ultrapasso em comprimento os limites propostos pelo fabricante (altura máxima de 185cm). Esta bicla terá sido feita a pensar mais no utilizador asiático, os cranks, exemplo, medem 165mm, um tamanho adequado a pernas pequenas. Já o limite de peso é de 105 kg, exactamente o mesmo das Dahon de gama alta.

Rodas e pneus da própria Giant

Uma limitação da bicicleta tem a ver com a transmissão. Não falo do número de velocidades, mas do escalonamento destas. Foi usado na frente um prato de 48 dentes (atrás é 14-28), o que não chega para dar grande embalagem. Se a velocidade máxima falha, as subidas por seu lado não serão problema. De resto, as sensações que esta Giant transmite estão bem acima dos Euros que custou (cerca de 200 já com portes). O proprietário está satisfeito e há mais uma bicicleta utilitária a rolar pela capital.

Resumindo e baralhando:

A favor:

  • Preço
  • Quadro em Aço
  • Dobra e componentes específicos aparentemente fiáveis 

Contra:

  • Velocidade Máxima
  • Questões de garantia e peças
  • Bielas de 165mm, para quem tenha a perna grande 

Charme Oriental




Mais uma vez, este trabalho só foi possível porque pude contar com a preciosa colaboração de:

Ciclista e feliz proprietário da Giant: João Serôdio
Fotografia: João Serôdio

Brompton Electrica

Não é esta! Imagem do modelo oficial ainda por revelar...

No que é um óbvio reconhecimento da importância transcendente deste blogue no panorama do ciclismo utilitário mundial, recebi recentemente um e-mail daqueles senhores ingleses que fazem bicicletas que se quebram todas e ficam muito pequenas. Diz a missiva que a marca se prepara para lançar um modelo com assistência eléctrica na sua gama de dobráveis. A chamada eBrompton está na forja há seis anos e era conhecida até agora como o Projecto X (Coisas de bifes). O modelo só deve chegar à maioria dos mercados em 2013.

Quem não quiser esperar tanto pode sempre ir a Londres para o ano ou encomendar já um modelo não oficial, uma transformação feita pela boa gente da NYCewheels. Não vai é ficar barato...

sábado, 24 de setembro de 2011

Pedais de encaixe na cidade

O ultimo grito da moda urbana cycle-chic-mega-ri-fixe. Os colegas gostaram

Ultimamente tenho andado com pedais de encaixe. A coisa começou por simples preguiça em voltar a trocar os pedais por uns convencionais depois de umas voltas maiores de fim-de-semana. Acabei por usar bastante os pedais de encaixe em deslocações utilitárias por Lisboa nos últimos tempos e esta posta é um apanhado das minhas impressões.

Recordo que o meu background, se é que tenho algum, é do BTT, e nesta prática estava habituado ao uso de pedais de encaixe da Shimano ou compatíveis, vulgo SPD (No meu caso uns muito comuns M520). Normalmente quem se acostuma a este sistema não quer outra coisa. Também há quem nunca chegue a acostumar-se. Para uso em cidade tinha concluído que o sucessivo para-arranca tornava o uso do SPD menos aliciante, talvez mesmo perigoso, pelo que optei por uns convencionais pedais de plataforma.

Convencional...

...ou de encaixe?

Agora que tive oportunidade de experimentar, a verdade é que não posso dizer que haja um claro vencedor. Por um lado os SPD's mantêm em cidade todas as suas vantagens: permitem um maior controlo da força de pedalada e logo arranques mais incisivos e acelerações mais rápidas. Obviamente também dão maior segurança ao descer depressa uma rua esburacada de Lisboa, e dessas há muitas. Também ajuda ter o pé de arranque preso, podendo rodar muito mais facilmente o pedal para a posição ideal para voltar a arrancar, algo mais moroso com pedais convencionais. Os pedais de encaixe transmitem mais segurança a todo o momento, menos quando temos que, inesperadamente, colocar o pé no chão. E situações desse tipo não são incomuns no trânsito caótico de Lisboa. Em quase todos os modernos pedais de encaixe a pressão das molas pode ser regulada, nomeadamente para tensões muito baixas, como estão os meus neste momento. Mesmo assim o potencial para surgirem problemas está lá e não deve haver coisa pior que tombar na bicicleta, no meio dos carros, com uma perna presa no pedal...

Também há pedais mistos ou (como aqui), acessórios que permitem utilização mista

Para usar pedais de encaixe, é necessário utilizar sapatos específicos. Isso hoje em dia não é grande problema, existem muitos modelos, de várias marcas, que permitem um caminhar quase confortável e se o "cleat" ficar no meio da sola até se pode evitar o som de cascos de cavalo e o arruinar do chão da casa dos amigos. Não é o caso dos sapatos que eu tenho usado ultimamente, mas isso agora não interessa nada.

Em suma, para um utilizador experiente, é uma opção como outras. Para quem não tem bastante experiência com este tipo de pedais, o melhor é usar pedais de plataforma, as perdas de "potência" em distâncias curtas são negligenciáveis e são mais simples, versáteis, seguros e baratos.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Comichão premium



Pronto, já falei no assunto. E se querem a minha opinião, eu sei que não querem, mas cá vai ela na mesma, como de costume: o filme parece ser o típico produto de acção de Hollywood, neste caso de baixa qualidade, e que por acaso, só por acaso, até envolve bicicletas. Foi fixe ver o trailer, acho que não vou passar disso.