quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Orçamento Participativo 2011-2012

Até ao fim do mês

Está a decorrer até 30 de Setembro a votação para o Orçamento Participativo da Câmara Municipal de Lisboa. Há algumas novidades este ano, nomeadamente as Assembleias Participativas, mas como não fui a nenhuma não me vou pronunciar sobre o tema. No que toca aos projectos que estão a votação, este ano não há grande coisa no que toca estritamente ao ciclismo utilitário, mas há ideias interessantes em áreas relacionadas, como medidas de acalmia de tráfego e melhoria de acessos pedonais. Tudo de âmbito local.

Infelizmente, o que se destaca este ano é mesmo o grande numero de propostas para criação de mais estacionamento na cidade. O povo também quer espaço para o carro, pá. Parece que o que há não chega. News flash, senhor Zé do Volante: nunca vai chegar! O melhor é começar a pensar em alternativas. Eu tenho uma, começa por "B" e acaba em "cleta" 

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

As Rodas da Ira: Proíbam o Ciclismo

Mais valia assumir

Uma ideia: Proíbam o ciclismo. Proíbam a circulação de bicicleta no espaço público. Ilegalizem. Sobretudo em estrada, mas acabem com essa praga nas ciclovias também.

Tudo.

Prendam todos os prevaricadores, mão dura com esses esquisitoides. Assegurem que a nenhum ciclista será tolerado perturbar a circulação das vacas sagradas.

Responsáveis da nação, autarcas, este é o desafio. Combatam essas criaturas odiosas e desviantes! Está nas vossas mãos. Façam o que o povo anseia e serão recompensados com mais anos de poder, bajulações e honrarias.

É certo e sabido que em Portugal a diferença entre o que é a lei e o que se passa regularmente na prática é abismal. Não é de agora. Se o automobilista quiser andar a 100 em cidade não se passa nada. Já o contrario, circular legalmente de bicicleta em estrada pode ser muito complicado, para o ciclista claro. Porque não resolver isso? Se toda a gente parece achar que os ciclistas são um estorvo e nem a legislação nem as autoridades os protegem, por que não ajustar a lei ao que se passa na pratica? Ficava tudo mais arrumado e os potenciais interessados ficavam a saber com o que podiam contar.

Pela primeira vez em algum tempo, hoje fui todo o caminho de casa até Lisboa a pedalar. Na ida, não sucedeu nada de extraordinário, se considerar-mos normal os automóveis na marginal passarem (como sempre) a grande velocidade e a milímetros do meu guiador.

O regresso foi diferente. Parece que por onde quer que eu passasse, era fonte de irritação para toda a gente. Antes de chegar ao Cais do Sodré, já os taxistas me tinham feito rasantes suficientes para me depilarem as pernas. Na praça de táxis do Cais do Sodré, um fogareiro abriu (atirou com) a porta quando eu ia apertado por outro carro e por pouco não me apanha. Perante o meu protesto, os demais profissionais da praça encararam-me com um misto de nojo e desprezo. Decidi seguir pela ciclovia (de Belém), mas talvez não tenha sido a melhor ideia.

O Habitual, na "ciclovia" de Belém

Em Alcântara, antes da GNR, atrás da AR Telecom e outras empresas, está um grupo de adolescentes espalhados pelo passeio e pela ciclovia. Uns estão de pé, outros esparramados no chão. Quando estou a passar, há um miúdo, que não poderia ter mais de 15 anos, que avança para o meio do caminho, sem me ver. Eu aviso "Cuidado", mas em resposta o adolescente resolve encarar-me e atira-me com um "Cuidado o quê, »@"#$"%$? Eu respondo simplesmente sinalizado e dizendo "ciclovia", mas o resto da tribo já se está a levantar, avançando provocativamente e a gritando insultos, pelo que respondo um pouco na mesma moeda e afasto-me.

Tento não deixar que estas coisas estraguem o que de outro modo até estava a ser um prazenteiro regresso a casa. Afinal eu só queira era chegar a casa. Mas a coisa não podia ficar por aqui. Mesmo a chegar, numa rua onde passo todos os dias, fui quase vitima do famigerado "Right Hook". O Problema das viragens à direita é soberanamente conhecido no mundo do ciclismo e há técnicas para melhorar as nossas probabilidades de seguir em frente em segurança. Uma delas é circular mais à esquerda antes do cruzamento, para que o automobilista não só perceba claramente que não vamos virar, como não possa ultrapassar naquele momento. Foi isso que eu fiz perante a presença de um carro atrás de mim antes do cruzamento. Não serviu de nada.

O Fiat nunca me ultrapassou. Manteve-se no meio da estrada, mesmo ao meu lado e depois virou à direita como se nada. O condutor tinha que estar em morte cerebral para não me ver. Justamente por já esperar todo o tipo de barbaridades dos enlatados, consegui, não sei como, evitar a colisão e não cair. Mas fui forçado a entrar na rua para onde a vaca sagrada queria ir. O que seguiu foi uma cena triste, comigo a perder todo o controle e a berrar o que me veio à cabeça naquele momento ao automobilista, ao mesmo tempo que o desafiava a parar. Em boa hora o mentecapto não o fez, porque eu estava com a adrenalina no máximo e tomado de uma raiva desconhecida. A violência que decerto de seguiria só me prejudicaria, mais uma vez, a mim próprio.

Eu só queria chegar a casa. Mas nunca nada é assim tão simples no país dos rodinhas. Já pensei tantas vezes em emigrar, só por causa disto. Parece que sou eu que estou mal, e quem está mal muda-se, não é assim?

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Lisboa: novidades de mobilidade sustentável

O centro de Lisboa será fechado ao trânsito! Err... não.

Aproximando-se a largos passos a Semana Europeia da Mobilidade, andei a pesquisar novidades de Lisboa, e da Câmara de Lisboa, relacionadas com a mobilidade. Como de costume, até há muita coisa a acontecer, mesmo que a sua importância seja muito relativa. Eu destaco: 

  • Dia 12 foi lançado o concurso para a construção da ponte ciclo-pedonal sobre a 2ª Circular. Já se fala dessa travessia há algum tempo, parece que agora as coisas estão a andar. Conclusão prevista para finais de 2012. Ou então estes senhores foram só comer croquetes. (Ver vídeo

  • Dia 18 é o Passeio da FPCUB, "Lisboa Ciclável", que percorrerá maioritariamente ciclovias. Pode ser interessante para quem queira conhecer a extensão da rede de "ciclovias" da capital. Começa e acaba no Jardim Amália Rodrigues (Parque Eduardo VII).

  • Dia 21 teremos os VI Prémios Nacionais de Mobilidade em Bicicleta, em que a perseverante FPCUB vai tentar engraxar algumas entidades oficiais que pouco ou nada fizeram pelo ciclismo utilitário em Portugal, na esperança de que uma consciência pesada os leve a, no futuro, serem mais amigos da bicicleta e do ambiente. Pelo meio, alguns prémios merecidos também serão atribuídos.

  • Dia 22 é o Dia Europeu sem Carros. Em Lisboa será mais um dia de carros por todo o lado, carros em cima das árvores, em cima do passeio, peões maltratados e atropelados e caos rodoviário geral. Haverá no entanto uma conferencia, ainda não consegui perceber onde, para discutir o óbvio:"A Bicicleta, Ferramenta de Estratégia Energética e Ambiental”.

Há mais eventos previstos, mas é quase tudo à base de voltinhas de bicicleta em cima do passeio e colóquios e conferências onde se discute o que depois não se implementa. No fim, toda a gente regressará a casa de carro.  

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Ainda a obrigatoriedade de circular nas ciclovias

O ciclista está obrigado a usar a "ciclovia" de Belém em detrimento da N6?

Poucas coisas são consensuais no mundo das bicicletas e esta é uma delas. Gostemos de ciclovias e trânsito segregado ou não, ninguém pode negar que o mal amado Código da Estrada Português obriga a que os velocípedes circulem pelas pistas para bicicletas sempre que elas existam.

O artigo 78º - "Pistas Especiais" - do famoso documento trata disso mesmo, determinando o ponto número 1 que: "Quando existam pistas especialmente destinadas a animais ou veículos de certas espécies, o trânsito destes deve fazer-se por aquelas pistas". Mais à frente, o ponto número 6 estabelece as penalizações para os infractores, ou seja, coimas de 30 a 150 Euros.

Está tudo claro portanto. Ou nem por isso? Sendo um pedaço de legislação Lusa, não pode deixar de possuir uma certa ambiguidade. Para começar, acho caricato o uso da expressão "deve" no primeiro ponto, em lugar de um mais forçoso "estão obrigados" ou algo assim. Mas esse nem será o maior problema. Eu consigo descortinar pelo menos 4 situações ambiguas no meio disto tudo:

  • Obviamente existe sinalização homologada para identificar estas pistas especiais, mas muitas vezes ela não é usada. Nesses casos de ausência de sinalização correcta, a ciclovia pode ser considerada como tal?

  • Que fazer quando a ciclovia não é realmente paralela à via pública de onde pretende retirar trânsito de velocípedes, como no caso das ciclovias lúdicas e ornamentais, é obrigatório usa-la? 

  • E se não for visível da estrada, como pode ser obrigatório a circulação se o ciclista desconhecer a existência da pista especial? 

  • Quem usa bicicleta de estrada deve circular pela pista especial, já que um velocípede é um velocípede. Mas será sensato misturar máquinas capazes de 50 km/h em plano com crianças em patins e outros peões (nas ciclovias partilhadas)?

Dada a qualidade duvidosa de muitas das nossas "pistas especiais", estas questões parecem-me pertinentes e são fonte frequente de conversa com os companheiros do pedal. Já as autoridades não mostram especial preocupação pelo cumprimento do Código da Estrada nas ciclovias, tal como não mostram especial preocupação pelo cumprimento do Código da Estrada em geral.

Alguém sabe alguma coisa deste assunto que me esteja a escapar ou este é mesmo o ponto em que estamos? Quem quiser consultar o Código pode fazê-lo aqui e informação sobre sinalização de ciclovias e muito mais pode ser encontrado neste excelente documento (para crianças!) da boa gente do Cenas a Pedal.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

FankenBicla: actualização

Bike Queen, Séc. II B.C.

Tenho usado esta monstruosa criação para pequenas deslocações locais (<2 km) e estou muito satisfeito com ela. Ninguém olha duas vezes para a bicicleta, posso usar um cadeado "normal", prende-la ao mesmo sítio onde já roubaram duas bicicletas cá de casa e ir à minha vida descansado.

Manete também já é quase um clássico. Finalmente ela trava!

Com pneus de BTT modernos, a bicicleta é confortável QB e até me parece bastante estável, mesmo tendo o quadro um tamanho pouco adequado à minha majestosa pessoa. Depois de uns apertos no cubo, a roda da frente deixou de andar aos gonzos e a travagem também melhorou 200% (vá, 205...) depois de trocar a manete esquerda por uma de v-brake decente, e fazer umas afinações. A Bicicleta finalmente trava, está tão obediente! Apenas o problema da direcção persiste, o novo garfo tinha uns milímetros a menos de rosca e nunca consegui apertar devidamente a direcção. Mesmo assim, funciona! Também não queria que a FrankenBicla (Bike Queen, Drag Queen, como sugeriu alguém) perdesse por completo a sua personalidade... assustadora!

Co-habitante acha que ainda roubam a Queen por causa do pneu novo...