sexta-feira, 14 de outubro de 2011

A bicicleta mais leve do mundo

Um dos meus dois leitores fez-me chegar esta pequena curiosidade. Não que o peso da bicicleta seja muito relevante no ciclismo utilitário, mas tem sempre piada saber estas coisas. Assim, aqui fica a bicicleta de 2,7 kg. Sim, tem mudanças e funciona e tudo. Só não sei a quantos quilómetros sobreviveria nas ruas de Lisboa.

Anorexia e muito Crabon

Fiquem a saber mais desta maravilha do minimalismo no site TriRig.com. Por curiosidade e/ou diversão, talvez merecesse a pena comparar este modelo e o seu peso com o de uma tradicional bicicleta utilitária holandesa. Como uma Gazelle de 3 velocidades. Eu sei qual preferiria. E é a que custa 100 vezes menos que a outra...

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

O regresso do Verão Azul. De bicicleta, claro.



Agora que o tempo começa a arrefecer e a economia está já a baixo de zero, tomem lá uma injecção de nostalgia bem quentinha. Quem é que nunca sentiu vontade se assobiar o mítico tema do "Verano Azul" durante um passeio de bicicleta numa tarde solarenga? Pois bem, os protagonistas da mítica série dos anos 80 voltaram a reunir-se em Nerja, no Sul de Espanha, trinta anos depois. Foi organizado um passeio de bicicleta pela terra, já que um dos elementos mais carismáticos da série eram sem dúvida as bicicletas, que permitiam aos jovens personagens deslocarem-se com total liberdade, a caminho de mais uma aventura de verão.

Se acabó la crisis: ahora viene el Apocalipsis

Os Marathon parece que também furam

Um bloguer famoso como eu, com uma audiência de mais de 3 leitores semanais, que priva com os ricos e os famosos da nossa praça, também é afligido pelos mesmos males que tiram o sono ao proletariado mais anónimo. Sim, furei um dos meus clássicos Marathon, mas o pneu teve pelo menos a dignidade de apenas tornar o problema notado já estando eu em casa. Pneus de pedigree têm logo outra compostura.

A falta de ar também aflige a economia aqui do nosso cantinho, o pequeno rectângulo também conhecido por um certo líder regional como "o sítio onde os Cubanos escondem a massa". Já o título desta posta é uma frase em castelhano, uma piada ao estado da nação espanhola muito escutado em Madrid, quando lá estive o ano passado. Neste contexto, daquela que possivelmente é a maior crise económica de todos os tempos, é difícil esperar grandes avanços na área da mobilidade sustentável. 

E como sempre, consensos entre a meia dúzia de excêntricos dispostos a lutar pela causa é coisa que dura menos que o tempo de prisão do Isaltino. Basta ler as discussões nos e-mails da MUBI ou os comentários que vão surgindo nos blogues de referencia. Toda a gente tem uma ideia diferente e todos são experts em mobilidade, acabados de chegar de Copenhaga.

Entre as "certezas" de uns e a incontrolável vontade de protagonismo de outros, na prática continua tudo na mesma. E nas ruas de Lisboa, business as usual. Carros, carros e mais carros. Tudo lhes é permitido. Hoje foram atropeladas duas crianças dentro da sua escola em Caxias e pouco faltou paras que se dissesse que a culpa era delas. Irresponsabilidade a toda a prova. Assim o determina a maioria. E para que não se diga que sou eu que sou muito crítico, até do Norte surgem desabafos que não diferem muito da minha experiência.

As infraestruturas não utilizadas têm a sua mera existência  posta em causa

Mas quem é que faz cortes cegos ?!?!
Este António Costa parece um menino grande a brincar às Farm Villes.... A CMLisboa continua com um buraco de endividamento de mais de 1000 milhões de euros. Mas António Costa continua a desbaratar dinheiro construindo pistas de ciclismo para os papás e os filhinhos se divertirem nos fins de semana... Nos outros países, onde há dirigentes mais competentes, fazem-se pistas de ciclismo para alternativa à utilização de viaturas, nos percursos para o serviço ou para zonas comerciais. Em Lisboa A.Costa fez uma brincadeira de quintinhas junto ao Colombo (onde enterrou milhões de euros dos nossos impostos) e não pára de fazer pistas para divertimento !!! Travem este João Jardim lisboeta !!!!"

Este tipo de opinião acerca das ciclovias é bastante comum e reparem que este leitor nem é hostil ao conceito, apenas à forma como os projectos foram executados. Não é a primeira vez que escuto ideias deste género e difícil é discordar. A crise pode bem ser uma oportunidade única para mudar paradigmas e mentalidades, mas ninguém vai largar o carro se os projectos de vias cicláveis da capital estiverem sempre rodeados desta controvérsia (merecida) e forem vistas como elefantes brancos.

Os capangas do ACP não se importavam de ficar com este espaço também

Por outro lado, ninguém deveria tomar por certo o pouco que já se conseguiu fazer pelo uso da bicicleta em Lisboa. Nada é irreversível e tudo está à mercê dos detentores dos cargos de poder. Nada impede que as ciclovias passem a ser parques de estacionamento! E os lugares de estacionamento usurpados pelas motos podem perfeitamente nunca voltar a ser lugares para bicicletas. Em Oeiras, essa terra dos amigos do alheio, foi recentemente trocado um estacionamento em U invertido por um miserável "empena-rodas", por razões que a razão desconhece. Nada está garantido. 

Antes era assim. Agora já não é

Entretanto, voltou ao activo na blogosfera uma das poucas vozes de sanidade que ainda se podem ouvir neste país. Refiro-me claro ao blogue A Nossa Terrinha, uma das minhas leituras preferidas. Por cá, nem tudo são más noticias. Como a noticia do lançamento de um livro sobre as peripécias menos conhecidas das... errr, muitas edições da Volta a Portugal em Bicicleta, para o qual tive a honra de ser convidado pelos autores.

Recomendado!

Algumas figuras do mundo do ciclismo estavam presentes, desde o Vitor Gamito até ao omnipresente José Manuel Caetano. Algumas pessoas deslocaram-se para o evento de carro, outras de moto e ainda alguns de transportes públicos. De bicicleta nem um. Nem sequer eu.

sábado, 8 de outubro de 2011

Um passo para a frente, um passo para trás

Estava à conversa num intervalo das aulas, quando me apercebi de uma certa comoção na rua. Aproximei-me das grades do portão, perfeitamente a tempo de ver passar dúzias e dúzias de ciclistas, naquilo que só poderia ser a Massa Crítica de Setembro. No meio da procissão interminável de velocípedes (diz que eram 400), de todos os tamanhos e feitios, ainda distingui um colega meu, que em vez de estar nas aulas acelerava de licra no meio do pelotão.



Passou a Semana da Mobilidade e o Dia Europeu sem Carros. Passou a Massa Crítica de Setembro, e acabou o prazo para escolher as propostas para o Orçamento Participativo da CML, que foram hoje divulgadas.

A proposta em que eu votei ficou em 42º lugar, tendo nela votado mais 45 excêntricos, que como muito bem diz o Reichfürer Barbosa, na verdade nem devem existir. E esta é a primeira das propostas relacionadas com o ciclismo urbano que surge na lista de classificações, daqui para a frente nem me dei ao trabalho de procurar. Entre os 5 projectos vencedores que serão executados, tendo recebido perto de 10% dos votos totais (e 36 vezes mais votos que a ligação ciclável Baixa-Av. da República) está mais um muito necessário parque de estacionamento. Nesta frente, nada de novo.

Por outro lado, a blogosfera e as listas do Mubi tem andado em ebulição com os últimos episódios dessa telenovela de grande audiência que é o projecto das Bicicletas Partilhadas para Lisboa. Neste momento as propostas parece que são duas, a mais antiga do senhor barrigudo que gosta de bicicletas mas tem o pelouro dos jardins e outra do vereador amigo do ReichFürer Barbosa, que é professor daquela universidade que aboliu os passeios no seu campus e entregou todos os metros quadrados disponíveis ao estacionamento das vacas sagradas. Não vos vou aborrecer com pormenores desta história, de muitos já demasiado bem conhecida, mas basicamente um quer fazer uma coisa semi-civilizada mas não tem dinheiro e o outro quer fazer uma amostra de coisa, com muita tecnologia à mistura, mas só para turista ver. Venha o Alberto João Jardim e escolha.

No IST, estacionar é assim. Que mais ideias terá o prof. Nunes da Silva?

Outra importante frente de combate é desta feita nada menos que o parlamento da república, onde uma proposta para a Afirmação dos Direitos do Ciclistas e Peões no Código da Estrada foi levada à discussão, naquilo que a FPCUB descreve como um dia histórico. Aparentemente existem apoios importantes tanto à esquerda como à direita e há até algum consenso sobre a relevância do tema. As pesadas rodas do poder estão finalmente a mexer-se, mesmo que de forma quase imperceptível. Só nos resta esperar.

É assim em Picoas, no Cais do Sodré e um pouco por toda a cidade

Enquanto a bicicleta luta por se afirmar na selva de asfalto que é a capital da República Democrática de Cuba, há um outro meio de transporte que fez a sua transição para fora da obscuridade marginal. Sim, se alguma coisa mudou no panorama da mobilidade da capital é o número crescente de motos e scooters que povoam as ruas de Lisboa. Nada de extraordinário quando comparado com cidades do país vizinho, para não ir mais longe, mas uma diferença muito relevante para o passado recente. Infelizmente, não povoam só as ruas, mas seguindo os hábitos dos automobilistas, estes veículos ocupam espaço indiscriminadamente, seja nos passeios, seja nos já de si escassos lugares de estacionamento para bicicletas.

Motociclos 125: o caso de sucesso da mobilidade em Lisboa

Esta autentica invasão de motos, sobretudo de pequenas cilindradas, é algo que me deixa com sentimentos contraditórios, pois eu estive na frente de batalha pela "directiva das 125", cuja aprovação é a base que está por trás de todo este sucesso. Agora, a tradicional indisciplina lusitana ameaça transformar os pequenos motociclos numa autentica praga, pelo menos no que toca ao estacionamento. É verdade que faltam os lugares próprios muitas vezes, mas nesse campo o trabalho da CML tem sido incansável e o panorama melhorou muito nos últimos anos. A civilidade é que não. 

Seja como for, é inegável que muita coisa está a acontecer relacionada com a mobilidade sustentável da capital. Este dinamismo pode acabar por ter poucos resultados palpáveis, mas não tenhamos dúvidas, estes são, pelo menos, tempos interessantes.