domingo, 18 de setembro de 2011

GT Agressor 2.0 em teste

Imagem: João Serôdio

Há por aí umas formulas que determinam o número ideal de bicicletas que um entusiasta deve ter. E eu tenho as minhas próprias ideias sobre o número indispensável de bicicletas que uma pessoa deveria pelo menos ambicionar possuir.

Infelizmente, por norma a realidade não é assim tão linear. O espaço lá em casa, as finanças, o conjugue, tudo são factores que conspiram para limitar os nossas ambições no que toca ao coleccionismo de máquinas do pedal. Para muitos existem condições práticas para ter apenas uma bicicleta. E isso torna as características dessa bicicleta única ainda mais importantes. A polivalência estaria no cimo da lista dessas características, e a seguir ao MacGyver, nada é mais polivalente que uma bicicleta de montanha de gama baixa.

Imagem: João Serôdio

A bonita GT que motiva esta posta é um desses modelos. Uma bicicleta capaz de tudo e de ir a qualquer lado. Para quem está a voltar ao ciclismo ou simplesmente pretende substituir a sua velha BTT dos anos oitenta e noventa por alguma coisa semelhante, este tipo de bicicleta é uma boa ideia. A geometria do quadro em alumínio aposta no conforto, os componentes são de gama baixa e algo pesados, mas de marcas reputadas. Tudo funciona como deveria e a sensação de precisão, de ausência de folgas, de ruídos, numa bicicleta nova, é incomparável.

O guiador sobre-elevado apoia-se num avanço de ângulo pouco agressivo. Os punhos são tão atraentes como confortáveis e o selim completa este panorama com os mesmos predicados. A complementar os pontos de apoio do ciclista, temos uns pedais bastante básicos mas ainda assim de marca conhecida. A pedaleira é uma Suntour bastante simples, de onde se destaca o disco de protecção da corrente. Quem pretender fazer BTT vai achar que é material (e peso) que sobra, quem quiser dar um uso mais utilitário à GT vai agradecer este pequeno pormenor que evita manchar a roupa.

E um olhar mais detalhado sobre esta GT revela a sua aptidão para o passeio mais que para o monte. Há muitos outros modelos no catálogo da marca americana aptos a satisfazer o BTTista mais radical. Esta GT tem outras competências. O quadro aceita uma grade porta-bagagens e guarda-lamas. A suspensão da frente tem furação para guarda-lamas e luzes, uma raridade nos dias que correm.

Pedaleira Suntour, básica mas funcional

A suspensão de 63mm não tem regulações, mas aceita guarda-lamas  

A transmissão está entregue à Shimano

As 24 velocidades apostam em relações baixas: esta GT sobe tudo!

Conforto e bom gosto

Mesmo os componentes de gama mais baixa são "de marca"

A minha primeira BTT foi justamente uma GT parecida com esta, concretamente uma Avalanche 3.0 de 2003. Eu dei-lhe um uso muito agressivo, e embora não fosse essa a sua vocação, a bicicleta nunca me deixou ficar mal. Não fosse o seu tamanho ser totalmente desadequado para mim, ainda a teria. Ao pegar nos comandos desta GT recordei de imediato a solidez e conforto da minha velha montada.

Como nota que remete para a qualidade da bicicleta, há um autocolante da Cannondale no quadro. Penso que as duas marcas americanas partilham instalações fabris no extremo Oriente. Os pormenores de qualidade com que este modelo de gama baixa nos brinda fazem-me pensar que se trata de uma aposta ganha. Não é fácil, por exemplo, contar o número de vezes que o logótipo da marca aparece no quadro e nos componentes, incluído o dropout!

A GT está cheia de detalhes de qualidade, a começar pela pintura do quadro

Em suma, para quem só pode ter uma bicicleta em casa e pretende dar-lhe um uso polivalente, que inclua um pouco de desporto, passeios com os amigos e algum uso utilitário, este tipo de modelo é a solução. E as boas notícias são que esta bicicleta, e outras do mesmo segmento de mercado, podem ser adquiridas por cerca de 50 antigos contos. Sim, este modelo foi comprado por 249 Euros numa conhecida loja de desporto nacional. É certo que para alguns isto ainda será muito dinheiro para dar por uma bicicleta. É uma questão de prioridades. Se lhe derem algum uso, vão ver que na verdade é das melhores compras que uma pessoa pode realizar.

Resumindo:

A Favor: 

  • Quadro
  • Qualidade dos componentes
  • Preço

Contra:

  • Nada de relevante

Alguém poderia argumentar que os pneus são para lá de básicos (e pesados) ou que o facto das relações de transmissão beneficiarem as subidas prejudica a velocidade de ponta. Eu penso que para a ordem de preço e utilização que estamos a falar, estes pormenores são irrisórios. Como sempre, o Lisboa Bike recomenda que teste a bicicleta que vai comprar e tenha especial atenção à questão do tamanho do quadro.  


Bom tempo, amigos e uma bicicleta nova: que mais se pode pedir? 

Para este trabalho contei com a preciosa ajuda de várias pessoas:

Modelo, ciclista e feliz proprietário da GT: Comandante Monteiro
Fotografia: João Serôdio

Como nota final, recordo que não tenho qualquer relação comercial com a GT nem com quem a representa no nosso país. As opiniões aqui expressas são exclusivamente minhas. Por favor guardem as teorias da conspiração para a Bike Magazine.

10 comentários:

  1. Grande review!
    Gostei do nível de pormenor das descrições.
    Faltou dizer que o preço se deveu à bicicleta ser de fim de colecção.P

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  2. Há sempre promoções, acho que esse preço é relativamente fácil de conseguir para este tipo de modelo.

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  3. Boa análise!

    Simples, prático e directo, como sempre..
    E bem mais útil do que os reviews dessa dita revista..

    Venham mais destes!

    Parabéns pelo blog!

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  4. Ei!!
    Faltou referir a maravilhosa companhia da Rita e do Matus que vos perseguiram valentemente durante toda a tarde...
    Rita

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  5. Eu comecei agora a dar as minhas voltas de bike, e adquiri a mesma bicicleta mas a 1.0 por 299 €. Como eu não percebo muito de bicicletas parecem-me ser muito parecidas, excepto que a aminha tem travões de disco à frente a atras . Estou contente com a minha pois a utilizo nas minhas voltinhas sempre a direito e devagarinho....

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  6. Parabéns Carlos, parece ter sido um bom negócio! Além dos travões, há de haver aí mais uns componentes que serão de gamas superiores. Boas pedaladas!

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  7. E ai Beleza!! Bem suscinto,e direto,é por ai qualidade e preço ,tudo que agrada ao ciclista!!

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  8. Olá Bessa. Tenho estado indeciso na compra de uma bicla, e estava quase a comprar uma Órbita Boxxer, mas o vendedor falou-me tão bem das GT que resolvi pesquisar um pouco estas bicicletas na mesma gama de preços. Encontrei esta e a tua crítica ajudou-me bastante. Agora a minha dúvida é o tamanho do quadro; para mim que sou pequenininho (1,60m) teria que ser um de 16, julgo. Mas de qualquer maneira, obrigado!

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  9. Olá André,

    Eu também preferiria uma GT neste caso. Ganha-se muito em "pormenores" como a qualidade do quadro, a pintura, os componentes da marca, etc. A escolha do tamanho tem muito que se lhe diga, a medida mais importante costuma ser o tamanho da perna, que por sua vez determina o tamanho do quadro. Mas grosso modo, para uma bicla de montanha, uma 16 polegadas (ou S) para um 1,60m parece-me certo, por isso força! : )

    Um abraço,
    Bessa

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